A neurociências postula que a manifestação dos sonhos nos indivíduos representam uma relação biológica entre a vigília e o sono. A ciência epistêmica através do conhecimento científico destaca que o ser humano ao sonhar pode simular novas formas de aprendizados como tocar instrumentos musicais, novos idiomas e até mesmo cantar e dançar. Os indivíduos evocam nos sonhos novas habilidades que podem influenciar o dia a dia. Os sonhos para alguns são como simulacros da vida real.

Pesquisadores antigos mapeavam os sonhos no estágio REM ou o momento no qual o movimento dos olhos são manifestados nos indivíduos quando estão sonhando. Estudos recentes destacam que os humanos podem sonhar em qualquer fase do sono.

De acordo com o neurocientista e neurocirurgião Rahul Jandial do Laboratório Jandial no Centro de Câncer City of Hope em Los Angeles e autor do livro ” Porque sonhamos” aponta que os sonhos são formados e manifestados nos indivíduos através de “ atividades elétricas mentais”. A célula neuronal é responsável pelas conexões das redes neurais do sistema nervoso central e periférico.

Ainda segundo Jandial para o ser humano ter a capacidade de sonhar é necessário uma pseudoparalisia ou desligamentos temporários dos neurônios motores. De acordo com o neurocientista são os neurotransmissores glicina e o ácido gama-aminobutírico (GABA) responsáveis pela capacitação momentânea de paralisia das células da medula espinhal responsáveis pelos músculos e nervos periféricos. A rede cerebral pode ser momentaneamente desconectada na manifestação dos sonhos. A rede neuronal é responsável pela cognição, lógica e pensamento. Com a execução dos sonhos a atenção deixa de ser externa de forma dividida, seletiva ou sustentada. E passa a ser uma atenção interna e introspectiva. Com a ativação da atenção interna o cérebro entra no modo dispersivo ou com a “ rede de modo padrão” DMM ativado. Jandial destaca que com a imaginação criativa ativada no cérebro a “ rede de imaginação” entra em ativação.

Quando estamos em vigília há uma alternância entre a atenção externa através dos sentidos e foco interno. Estudos das neurociências indicam que a atenção pode ser seletiva ou dividida e é manifestada pela rede executiva do cérebro. Esta parte do cérebro é responsável em manter a atenção e o foco externo. Já a rede imaginativa do cérebro ou parte criativa é mediado pelo foco interno. Ainda de acordo com Jandial a rede de imaginação ativa partes do cérebro relacionadas às funções sociais e emocionais. Ainda neste aspecto, Jandial pontua que a rede imaginativa do cérebro se diferencia de quando estamos acordados. Neste momento o indivíduo ao estar em vigília a rede executiva do cérebro são ativadas com foco e atenção.

O professor de psiquiatria da escola de Medicina de Harward, Edward F. Pace-Schott, e citado por Rahul Jandial destaca que a rede imaginativa do cérebro funciona como um catálogo com narrativas ilustradas com contos sobre pessoas, cores, lembranças e contos atribuídos a sonhos oníricos. Ao ativar o córtex pré frontal medial e também a rede imaginativa (MPFC) o indivíduo propõe através dos sonhos um simulacro da vida social.

Ainda segundo o neurocientista o nome científico para os efeitos da vida cotidiana nos sonhos são denominados por cientistas como “ hipótese da continuidade dos sonhos”. Esta classificação é atribuída a valores humanos através de motivos emocionais e personalidade de cada indivíduo. Pesquisadores afirmam que cerca de 70% dos sonhos são “simulações personificadas”, ou efeitos da vida de cada sujeito que sonha. Essa percepção individual do sonho pode personalizar a vida cotidiana, com suas alegrias, preocupações pessoais e caracteres emocionais de cada indivíduo. Jandial destaca que ao sonharmos o sistema límbico é acionado. A parte relacionada as emoções e memórias são acionadas de forma mais intensa de quando estamos em vigília. Ainda segundo o neurocientista ao sonharmos a adrenalina se mantém nulo em circulação no cérebro. Este hormônio é produzido pelos rins e supra renais e quando ativado aumenta de forma considerável  os batimentos cardíacos nos indivíduos. Quando estamos em vigília e com o nível de adrenalina em atividade no cérebro ocorre um aumento na percepção cognitiva e racional. Em contrapartida quando há um declínio de atenção e com o foco desperso esta percepção poderá estar associada a baixa produção de adrenalina. Jandial destaca que com a desaceleração deste hormônio circulante no cérebro o indivíduo poderá manifestar associações difusas e desconexas ao sonhar.

Desde a década de 70 os neurocientistas estão analisando formas de como definir os mistérios dos  sonhos vividos. Ou sonhos lúcidos como são chamados na literatura científica. O neurocientista Jandial destaca que o indivíduo ao ter sonhos lúcidos mantém um estado consciente como se estivesse em outro estado dimensional ou em devaneio. Ainda segundo o pesquisador o indivíduo ao sonhar de forma lúcida mantém picos de atividades ou movimentação elétrica no sistema nervoso central e também uma paralisia ou atonia corporal.

Jandial aponta em seu livro que o sujeito que estiver sonhando de forma lúcida poderá estar com a rede executiva ou  córtex pré-frontal ativa de forma parcial. Esta região do cérebro é responsável pela parte racional, cognição e raciocínio lógico. Pesquisadores registraram imagens de ondas elétricas no crânio encefálico de pessoas ao manifestar sonhos lúcidos  indicando um possível religamento da rede executiva neuronal.

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